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LER (Lesões por Esforço Repetitivo) e DORT (Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho)

 

As LER (Lesões por Esforço Repetitivo) e DORT (Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho) representam um conjunto de doenças que atingem os músculos, tendões e nervos dos membros superiores (dedos, mãos, punhos, antebraços, braços, ombros e pescoço) e que se caracterizam pela ocorrência de vários sintomas, concomitantes ou não, de aparecimento insidioso, tais como dor, dormência, parestesia, sensação de peso e fadiga.

As LER/DORT são doenças provocadas por atividades de trabalho que exigem movimentos repetitivos, continuados, rápidos e/ou vigorosos durante um longo período de tempo, em geral, em condições de trabalho precárias ou sob forte pressão. Na causalidade das LER/DORT estão envolvidas condições físicas e ambientais quantitativas, como frequência, intensidade, ritmo e multiplicidade das tarefas de trabalho; qualitativas, como desqualificação e tensões geradas pelo processo de trabalho, pressões, controle, exigências por produtividade e competitividade; cognitivo-afetivas, como ausência de perspectiva de carreira, remuneração insuficiente, medo de perda do cargo e/ou função, baixa afetividade geradas pelas políticas e relações sociais de trabalho.

Entre os tipos de LER/DORT ais comuns temos as Tenossinovites, tendinites, epicondilites, bursites, miosites, Sindromes do túnel do carpo, cervicobraquial, do desfiladeiro toráxico, etc. Embora seja frequente o diagnóstico desses transtornos, nem sempre são caracterizados como relacionados ao trabalho. As LER/DORT podem ser controladas se forem diagnosticadas no início da apresentação dos sintomas e tiverem o tratamento adequado, inclusive com a mudanças na organização do Trabalho.

Fique atento aos primeiros sintomas, para evitar o agravamento do quadro!

OS ESTÁGIOS DA LER/DORT PODEM SER AVALIADOS DE ACORDO COM O GRAU:

  • GRAU 1: Sensação de peso e desconforto no membro afetado. Dor no local, com pontadas ocasionais durante a jornada de trabalho, que não interferem na produtividade. A dor melhora com o repouso. O prognóstico de tratamento é bom.
  • GRAU 2: Dor mais persistente, mais intensa e aparece durante a jornada de trabalho. É tolerável, permite o desempenho da atividade e pode vir acompanhada de formigamento e calor. O prognóstico ainda é favorável.
  • GRAU 3: A dor torna-se mais forte e tem irradiação mais definida. O repouso não a faz desaparecer por completo. A dor aparece mais à noite. Há queda na produtividade e impossibilidade de executar a função. O inchaço é frequente, apalpar ou movimentar o local causa dor forte. O retorno ao trabalho nesta fase é problemático.
  • GRAU 4: Dor forte, contínua, levando a um intenso sofrimento. Perda de força e controle dos movimentos é constante. Os atos do cotidiano são prejudicados. Há incapacidade para o trabalho. São comuns as alterações psicológicas com quadros de depressão, ansiedade e angústia. Em geral este quadro leva à invalidez permanente.

Algumas ações podem ajudar no combate ao aparecimento da LER/DORT. A ginástica laboral é a mais comumente utilizada nos locais de trabalho no país, se constituindo de conjuntos de exercícios realizados pelos trabalhadores durante pausas de cinco a doze minutos ao decorrer da jornada de trabalho. A escolha do exercício a ser realizado pelo trabalhador deve ser fruto de avaliação técnica por profissional da área, levando em consideração as tarefas executadas durante o trabalho, a idade, condição física entre outros.

Outra ação que atua na prevenção e combate a LER/DORT é a adequação ergonômica do local de trabalho. A ergonomia é a disciplina científica voltada à adequação do trabalho aos trabalhadores pautado na saúde, conforto, segurança e produtividade. Após a avaliação ergonômica são feitas propostas de adequação técnicas (relacionadas à mudanças no mobiliário, nos equipamentos e nos ambientes físicos) e administrativas (relacionadas à programação de pausas e rodízios e mudanças na organização e conteúdo das atividades).

Por fim, as doenças musculoesqueléticas também podem ser prevenidas e combatidas a partir da adoção da prática esportiva, sendo sugerida uma frequência mínima de três vezes por semana, com duração de aproximadamente uma hora cada sessão.

Apesar do sofrimento com os danos gerados pelo trabalho serem normalmente enfrentados de forma individual, o trabalho saudável só será conquistado se for fruto da luta coletiva. É essencial que a categoria se organize e debata estes temas com os colegas de trabalho e, junto com o sindicato, pressione a administração dos tribunais por ações de prevenção à LER/DORT, como a ginástica laboral, a adequação ergonômica e os programas de incentivo à prática de atividades físicas.

 

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